As representações visuais não correspondem necessariamente ao produto final.
A kisspeptina é um neuropeptídeo endógeno, predominantemente sintetizado no hipotálamo, que desempenha papel central e indispensável na regulação do eixo hipotálamo–hipófise–gonadal (HPG). É amplamente reconhecida como o principal modulador upstream da secreção do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), sendo fundamental para a ativação e manutenção da função reprodutiva ao longo da vida.
Por meio da estimulação pulsátil do GnRH, a kisspeptina induz a liberação de LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo-estimulante), hormônios essenciais para a ovulação, espermatogênese, esteroidogênese gonadal e fertilidade em ambos os sexos.
Indução fisiológica da ovulação: Evidências clínicas demonstram que a kisspeptina é eficaz na indução da maturação ovocitária em protocolos de fertilização in vitro (FIV), promovendo liberação endógena de gonadotrofinas de forma mais fisiológica. Destaca-se por reduzir significativamente o risco de Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (OHSS) quando comparada aos métodos convencionais com hCG.
Normalização do eixo HPG: Beneficia pacientes com disfunções ovulatórias ao restaurar a sinalização hipotalâmica adequada, contribuindo para ciclos menstruais mais regulares.
Modulação central da libido: Estudos de neuroimagem e neuroendocrinologia demonstram que a kisspeptina atua diretamente em regiões cerebrais associadas ao desejo sexual, motivação e resposta emocional ao estímulo erótico.
Transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD): Apresenta potencial terapêutico em homens e mulheres com redução do desejo sexual, atuando por mecanismos centrais parcialmente independentes dos níveis periféricos de testosterona e estrogênios.
Hipogonadismo hipogonadotrófico: A kisspeptina pode restaurar a secreção de GnRH em pacientes com falha na sinalização hipotalâmica, promovendo aumento secundário de LH, FSH e hormônios sexuais.
Amenorreia hipotalâmica funcional: Demonstra eficácia na reativação do eixo reprodutivo em mulheres com supressão funcional da menstruação associada a estresse, restrição energética ou exercício excessivo.
Puberdade: É um regulador crítico do início puberal, sendo essencial para a ativação fisiológica do eixo HPG durante o desenvolvimento.
Oncologia (efeito antimetastático): Inicialmente identificada como um supressor de metástases, a kisspeptina inibe a migração e invasão celular em determinados tipos de câncer, despertando interesse em pesquisas oncológicas translacionais.
Regulação metabólica: Evidências experimentais sugerem envolvimento na homeostase energética, com possíveis efeitos sobre o tecido adiposo marrom, secreção pancreática e integração entre metabolismo e reprodução.
A kisspeptina exerce seus efeitos ao se ligar ao receptor KISS1R (GPR54) localizado nos neurônios produtores de GnRH. Essa interação desencadeia cascatas intracelulares que aumentam a frequência e a amplitude da liberação pulsátil de GnRH, coordenando de forma integrada os sinais reprodutivos, metabólicos e ambientais.
A kisspeptina representa um dos mais importantes avanços no entendimento da regulação neuroendócrina da reprodução humana. Seu perfil fisiológico, segurança relativa e ação central tornam-na uma ferramenta promissora em medicina reprodutiva, endocrinologia e pesquisas translacionais, com potencial de aplicação clínica crescente.